sexta-feira, 12 de novembro de 2010

E onde eles estão aprendendo a escrever ?

Defendo a tese, de que por trás da informalidade, da escrita cifrada, dos muitos erros de ortografia, a net através de suas redes sociais, chats, blogs, promove um intenso exercício da língua portuguesa, e os frutos literários dessa prática espontânea e prazerosa, serão colhidos em vários níveis, num futuro próximo.

Mais próximo do que eu esperava.

No Blog do escritor e mestre em Literatura pela PUC-RS, Charles Kiefer, encontrei este texto, publicado no dia 26 de outubro de 2010:

"Escrever e ler, uma relação de causa e efeito"

"Na segunda-feira, estive na cidade de Barra do Ribeiro, fazendo palestra para jovens da Escola Carlos Pinto de Albuquerque. E, nesta escola, como em tantas outras que tenho visitado, me surpreendi com o número de alunos que acompanham este blog. Várias das perguntas que me fizeram saíram diretamente das leituras dos textos que tenho postado aqui.

Este é um fenômeno que já começamos a sentir na Universidade. Ao menos eu o sinto em minhas aulas de Escrita Criativa, na PUC. De quatro semestres para cá, tenho observado uma melhoria significativa no texto de meus alunos. Há duas semanas fiz uma prova, e que, no meu caso, são sempre dissertativas. E nunca dei tanta nota máxima quanto agora. Não que eu tenha mudado. Continuo chato e exigente como sempre. Meus alunos é que chegam à Faculdade de Letras com maior competência linguística, com melhor nível de raciocínio. E onde eles estão aprendendo a escrever? Na blogosfera.

Sugestão aos professores de ensino médio: incentivem os seus alunos a frequentar e manter blogs. Esta é uma ferramenta de auto-aprendizado muito importante. Insistam menos na necessidade de leitura e invistam mais na escritura. Ao compreender as enormes dificuldades que se apresentam àqueles que desejam escrever, os alunos, inevitavelmente, lerão mais. É uma relação de causa e efeito. Nem sempre a leitura gera vontade de escrever, mas escrever sempre gera vontade de ler mais e melhor
.”

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Perseguição aos Nordestinos.

03/11/2010 - 18h07

JAMES CIMINO – FOLHA.COM

DE SÃO PAULO

"O escritório Peixoto e Cury Advogados, de São Paulo, demitiu a estagiária e estudante de Direito, Mayara Petruso.

Ela é apontada como autora de um comentário racista no Twitter, feito logo após as eleições, responsabilizando os nordestinos pela vitória de Dilma Rousseff (PT).

“Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”, teria escrito a estudante no microblog.

A declaração provocou reações dos internautas, que se posicionaram contra e, alguns, a favor. Mais tarde, ela cancelou seu perfil no Twitter, Facebook e Orkut.

“Com muito pesar e indignação, [o Peixoto e Cury Advogados] lamenta a infeliz opinião pessoal emitida, em rede social, pela mesma, da qual apenas tomou conhecimento pela mídia e que veemente é contrário, deixando, assim, ao crivo das autoridades competentes as providências cabíveis”, afirma o escritório na nota que confirma a demissão da estagiária.

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Pernambuco afirmou que irá pedir amanhã ao Ministério Público Federal, em São Paulo, a abertura de uma ação penal contra a estudante.

A estudante ainda não foi encontrada pela reportagem."

*

O vídeo reúne algumas das incitações racistas, divulgadas pela estudante e seus amiguinhos.




sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Voto útil. Voto fútil.

Um dia, a democracia será pra valer no nosso país. O voto deixará de ser obrigatório. Os partidos terão mais participação popular, principalmente na hora de escolher seus candiatos à cargos eletivos. Estas duas conquistas me livrariam do incômodo de não ter um representante em quem votar, e do trabalho de sair de casa no domingão sómente pra autografar a lista do TRE.
O Sistemão tem uma capacidade inesgotável de tirar vantagem das suas imperfeições, e ipso facto, autopreservar-se.

O voto útil foi transformado, de maneira sub-reptícia, em posicionamento político. "Não tem candidato que o represente, vote no menos ruim".
É a ideologia do conformismo, arraigada em outros setores da nossa vida. Alguns exemplos:
Você entra na farmácia com a receita de um remédio, e lá vem o farmacêutico: - Acabou, mas leva esse aqui que é a mesma coisa.
O vendedor da loja de roupas: - Ela não está apertada, quando você começar a usar, vai alargar.

Até na música popular, está inoculado o vírus conformista: "Quem não tem colírio, usa óculos escuro". "Se não tem carne, eu compro um osso e ponho na sopa, e deixa andar, deixa andar". "Às vezes passava fome ao meu lado, e achava bonito não ter o que comer".

Nessas eleições resolvi dar um basta na empulhação. Votarei em branco.
Relaxar e gozar ? Só se for com a mulher amada.

Que Deus ilumine suas consciências na hora de confirmar os votos.
Boa sorte para todos.

(Luiz Castello)

sábado, 23 de outubro de 2010

A Mídia na Berlinda


A bolinha de papel que nocauteou José Serra, colocou os veículos de comunicação de massa, na berlinda. Acho oportuno apresentar a lista das “Dez Estratégias de Manipulação Através da Mídia", cuja autoria é atribuída ao linguista estadunidense Noam Chomsky.

Dez estratégias de manipulação midiática

1. Estratégia da distração. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).”

2. Criar problemas, depois oferecer soluções. Esse método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3. Estratégia da gradação. Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4. Estratégia do deferido. Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para se acostumar com a ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chega o momento.

5. Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade. A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).”

6. Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).”

8. Estimular o público a ser complacente na mediocridade. Promover no público a ideia de que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9. Reforçar a revolta pela autoculpabilidade. Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de se rebelar contra o sistema econômico, o individuo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo no qual um dos efeitos é a inibição da ação. E, sem ação, não há revolução!

10. Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem. No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto física quanto psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce controle maior e grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos sobre si mesmos.

sábado, 16 de outubro de 2010

Os pardais sumiram dos quintais.


Há algum tempo eu comento com familiares e amigos, o sumiço dos pardais.
Era uma delicia curtir a algazarra vespertina desses passarinhos, empoleirados nas goiabeiras, jameloeiros, mangueiras, e amendoeiras, da vila onde nasci e me criei.

Os pardais fazem parte do santuário dos quintais suburbanos. Livres da espoliação, pelo seu nenhum valor comercial, era de se acreditar na companhia eterna desses bichinhos, antídotos alados, a impregnar de poesia o espaço citadino dominado pela fúria ruidosa dos motores.

Eis que leio na coluna do Joaquim Ferreira dos Santos – O Globo 27/06] :

Cadê os pardais?

“Os pardais estão sumindo”, confirma o diretor do Comitê Brasileiro de Registros Ornitólogos, Fernando Pacheco. “Não há um censo e as causas são desconhecidas, mas o sucesso reprodutivo dos pardais está prejudicado, talvez por uma doença ainda não identificada
.”

Não bastasse esse infortúnio, a prefeitura do Rio de Janeiro arranjou um modo de manchar a memória das avezinhas passerídeas, que nidificam, ou nidificavam, em habitações humanas – segundo, o mini Aurélio – batizando com seu nome, equipamentos instalados em esquinas, para multar motoristas distraídos.

Doravante, as novas gerações identificarão como pardais, a milionária indústria das multas de trânsito.

Meus amados irmãozinhos não mereciam este triste fim!

(Luiz Castello)